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- Albert Einstein


Karel Čapek, o pai da palavra robô

2006-11-30
Encontro-me no planeta Gliese 876 d que orbita uma esplendorosa anã vermelha. Aqui teve lugar um acontecimento civilizacional extraordinário que faz lembrar em tudo a peça de teatro R.U.R. (Rossumovi Univerzální Roboti) da autoria do checo Karel Čapek (pronuncia-se tchapek), o pai da palavra robô. Nessa peça escrita em 1920, surgia pela primeira vez a palavra robô com o significado que lhe conhecemos hoje, servindo para designar homens artificiais que eram produzidos na fábrica R.U.R. Em checo a palavra robota significa trabalho penoso ou trabalho forçado. R.U.R. narra a história da revolta dos homens artificiais contra a exploração de que se sentiam vítimas, dado que estes passaram a substituir os humanos em todas as actividades e em todos os trabalhos mais árduos e deprimentes. A revolta é de tal ordem que os robôs exterminam a espécie humana com a excepção da personagem Alquist, o único humano que domina a tecnologia de fabricação dos robôs.

Desde os anos 20 a palavra robô generalizou-se e passou a ser utilizada para designar um autómato capaz de se mover e de substituir os seres humanos nalgumas tarefas. Frequentemente nos romances de ficção científica os robôs são apresentados na forma de humanóides, mas numa fábrica de automóveis moderna existem centenas de robôs de variados tipos e formas.

Para além de peças de teatro, Čapek escreveu artigos poéticos e humorísticos para o diário Lidové Noviny (Notícias do Povo), romances filosóficos e ficção científica. Apesar da importância do autor, apenas as obras "A fábrica do Absoluto" e "A Guerra das Salamandras" foram traduzidas e publicadas em Portugal. O livro "A Fábrica do Absoluto" publicado em 1922 é um excelente conto de ficção científica em que a invenção de um carburador vai aumentar de uma forma extraordinária a produtividade das fábricas que o adquirem. No entanto o carburador tem como subproduto uma praga de espiritualidade que leva a humanidade a uma terrível guerra mundial de religiões.

Voltando a Gliese 876 d, aqui existiu em tempos uma civilização resultante da evolução dos organismos que surgiram no planeta, mas uma geração de máquinas inteligentes inventadas pelos glieseanos, tomou o controlo do planeta e exterminou até ao último exemplar os próprios glieseanos. Como se isso não bastasse uma invenção dessas mesmas máquinas que cruzava a sua robustez com o que havia de melhor na genética dos glieseanos criou uma nova espécie híbrida que viria por sua vez a exterminar as próprias máquinas. Hoje, estes seres híbridos, os neoglieseanos, talvez traumatizados pelo seu passado são das civilizações mais pacíficas do Universo. Curiosamente, a peça R.U.R. de Čapek foi uma das primeiras obras terrestres a ser descodificada pelos neogliseanos.