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Asteróide Ida e a sua lua Dáctilo

Ditos

"O mais importante é nunca parar de se questionar."
- Albert Einstein


O rugido do leão

2015-11-06
13.Nov.-19.Nov 2015 (Portugal)

O destaque da semana é indubitavelmente a proliferação de leõezinhos. Sendo o tema de foro astronómico, obviamente não estaremos a falar do aumento do número de felinos nas savanas africanas ou dos seus coitados familiares em cativeiro, mas sim, da chuva de meteoros cujo ponto de origem, o radiante, aparente vir da constelação do Leão. Devido a posição do radiante, esta chuva de meteoros é conhecida como Leónidas.

As Leónidas produzem tipicamente entre 10-15 meteoros por hora, o que não são muitos para ser franco. Todavia, por graça da composição do seu progenitor, os vários rastos de poeiras e pedrinhas (meteoroides) deixados pelo cometa Tempel-Tuttle nas suas diversas passagens atravessando a órbita da Terra, costumam produzir meteoros de grande calibre. Enquanto a maioria das chuvas de meteoros ao longo do ano produzem rastos de pouco brilho e curta duração, as Leónidas tendem criar rastos mais luminosos, frequentemente até as assim chamadas bolas de fogo ou bólides. Essas sim, vale mesmo a espera noturna para as ver. O efeito visual de uma bola de fogo, quando acompanhado ao vivo, é fascinante e tipicamente motivo para uma produção copiosa de adrenalina, serotonina e endorfina, resultando numa ligeira agitação e sensação de elevada felicidade.



Um meteoro das Perseidas cria um rasto de ar ionizado luminoso enquanto passa pela nossa atmosfera. Captada a partir da estação espacial internacional em agosto 2011. Crédito: NASA (Ref. da imagem: ISS028-E-24847)


Este ano, a previsão aponta para um pico de atividade na noite de terça-feira, dia 17 às 21h. Apesar de essa ser boa hora para olhar para o céu a partir das terras lusas, o nosso pedacinho de terra anexa ao continente Europeu está infelizmente virado para o lado oposto ao ponto de penetração dos meteoros. Digamos, se a terra fosse um carro em andamento, na melhor altura das Leónidas, estamos sentados de costas sobre a bagageira do dito carro. Portanto, perdemos todo o espetáculo.


Os meteoros das Leónidas penetrando a atmosfera terrestre vistos a partir da órbita. A imagem é a soma de várias fotografias captadas pela câmara CCD do satélite MSX, cuja tarefa era monitorizar o lançamento de mísseis balísticos. (1997) Crédito: P. Jenniskens (NASA/Ames, SETI Inst.) et al., APL, UVISI, MSX, BMDO
A partir da meia-noite a situação melhora consideravelmente e na madrugada do dia 18 até podemos ter a sorte de presenciar um segundo pico de atividade. Na noite do dia 18, quarta-feira, também vale a pena observar.

Para observar, basta paciência e estar confortavelmente sentado e agasalhado e olhar para qualquer parte do céu. De madrugada, aproveita-se ainda uma vista fantástica para uma enorme linha quase direita de luzes brilhantes no lado leste. Esta fila de luzes é, contada a partir de cima, a estrela Régulo na constelação do Leão, o ponto de onde as Leónidas aparentem provir, os planetas Júpiter, Marte e Vénus e, depois das 5h da manhã, ainda a Espiga, a estrela principal da constelação Virgem. Nesses dois dias (17 e 18), a lua crescente mergulha no horizonte por volta das 22 e 23 horas e não incomodará a caça aos meteoros.

Fotografar um meteoro? Coloque a câmara com disparador remoto sobre um tripé, feche o diafragma ao máximo (p.ex. f/32) e coloque o obturador em exposição contínua (B). Não excede um tempo de 3 minutos. Se possível ajuste a sensibilidade da câmara para 200 ou 400 ISO. Experimenta e logo que avista um meteoro, feche o obturador e começa nova exposição. Câmaras digitais sem disparador podem tirar sequências contínuas de imagens de 30 segundos, o que também serve, mas rapidamente pode encher a memória. Boa sorte.


Pergunta do mês
A pessoa procurada viveu entre o século XVIII e XIX. Ele era monge e nem percebia grande coisa da astronomia quando se dedicou a construir o observatório astronómico mais a sul da Europa. A sua intenção era completar os catálogos estelares com posições exatas das estrelas que no norte da Europa não chegavam acima do horizonte. Porém, no primeiro dia após a passagem de ano e do século, descobriu um planeta que tantos astrónomos procuravam há anos. A sua descoberta mudou consideravelmente a noção sobre o sistema solar. Quem foi o monge que, em vez de curar os efeitos posteriores a uma festa de passagem de ano, preferiu ficar colado a um telescópio?

Envie a sua resposta para nov2015@astronomia.pt. Entre todas as respostas corretas é sorteado um conjunto de postais com imagens de objetos do céu profundo. A alternativa ideal aos habituais postais de boas festas. (data limite 1.Dez.2015 Todas as nossas decisões são finais).