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Nebulosa NGC 6559

Ditos

"A única forma de descobrir os limites do possível é atingir o impossível."
- Arthur C. Clarke


Redondamente enganado

2015-11-19
20.Nov.- 26.Nov 2015 (Portugal)

É outra vez a tal altura do mês. Os lobos e outros canídeos treinam a voz e os uivos, os aficionados em assuntos esotéricos e mitológicos desenrolam os manuscritos, preparam caldeirões ou cânticos, e uma boa parte dos astrónomos amadores mentalmente pragueja...todos pelo mesmo motivo: a lua cheia está para vir.

Nestes próximos seis dias, mal escurece, a lua está aí. No dia 20 (sexta) por volta das 19:30h a Lua está mesmo no sul. Todos os dias seguintes, na mesma hora, fica cada vez um pouco mais para leste (esquerda). Por fim, por volta das 17:15h no dia 25, nasce na mesma altura que o sol se deita no lado oposto do nosso horizonte, o que significa, é noite de lua cheia. Desta vez, a lua está cheia às 22:44h.

Tanta é a luz lunar que até faz os objetos em nosso redor lançarem sombras e o céu tão luminoso que mal se veem as estrelas. Por isso os amantes das estrelas e do uso de telescópios não costumam ser amigos da lua brilhante. As outras associações lunares acima mencionadas são mero misticismo, ou, francamente ideias erradas.

Os lobos e cães não uivam para a lua, apesar de assim parecer. A posição de uivo com cabeça inclinada para cima é apenas a forma mais favorável para a projeção da voz. O uivar parece intensificar no inverno e na primavera, mas também nada tem a ver com a lua. No inverno simplesmente ouvem-se os uivos dos contactos sociais lupinos a maiores distâncias porque as árvores sem folhas deixam o som transportar-se mais longe. Na primavera é a época de namoro, portanto motivo para uivar freneticamente, não importa a fase da lua.


Uma noite de luar é certamente inspirador. Rodeado de natureza, amigos ou familiares e a lua enche a alma com um toque de misticismo e fascínio. Tudo o que mais se diz das forças da lua é apenas uma infeliz ilusão. Crédito: GRM/NUCLIO
Quanto à mitologia, enfim, uma deusa lunar tem tanto mérito de ser adorada como qualquer outra divindade inventada pela humanidade. Desde que não envolva sacríficos de vida, sangue ou cobranças monetárias, cada forma da gente socializar pacificamente é apreciável.

Outros mitos envolvendo a lua cheia parecem não querer morrer, pouco importa quão ridículos possam ser. A luz lunar não nos enfeitiça e não nos deixa sonambular (lunatismo), isto está definitivamente comprovado. A lua cheia e lua crescente também não ajudam nem um bocadinho na limpeza da roupa, apesar das insistentes vozes da avozinha da vizinha do lado, que diz o contrário e, à maneira antiga, estende os lençóis brancos da cama em plena noite de lua para esta os branquear e tirar as últimas nódoas. Os cabelos também não crescem mais rápidos, nem mais devagar, faça sol ou luar. E se a noite ficar mais fria, a culpa deve ser do tempo em si, de certeza não da lua. As noites de lua cheia também não aumentam o número de crimes, pelo menos não mais do que o número de lobisomens. Quem lhe disser o contrário apenas quer que gaste o seu dinheiro em lâmpadas, sistemas de vigilância ou estacas de prata.

Então, fora chatear os astrónomos, iludir os esotéricos e inspirar os românticos, afinal das contas, a lua faz alguma coisa útil?

Sim, definitivamente provoca as marés, por vezes em colaboração com o Sol, por vezes contra o mesmo. As marés são relevantes para a navegação marítima, o que é (ou era) relevante para nós, especialmente nós na península ibérica. Relevantes também são e eram as marés para todas as populações emergentes em zonas costeiras, fazendo a lua portanto contributo substancialmente para a evolução do ser humano.

Vá lá fora e espreita todos os dias (mesma hora) até o dia da lua cheia. Faça um desenho simples daquilo que vê na superfície. Na lua cheia seguinte (25.12.) tenha esta imagem pronta. A última crónica neste ano (sai 5ª feira, 24.12) aprofundará o tema... e para gáudio de quem assim entende, traz mais enganos conceptuais e curiosidades envolvendo a nossa lua.



Pergunta do mês
A pessoa procurada viveu entre o século XVIII e XIX. Ele era monge e nem percebia grande coisa da astronomia quando se dedicou a construir o observatório astronómico mais a sul da Europa. A sua intenção era completar os catálogos estelares com posições exatas das estrelas que no norte da Europa não chegavam acima do horizonte. Porém, no primeiro dia após a passagem de ano e do século, descobriu um planeta que tantos astrónomos procuravam há anos. A sua descoberta mudou consideravelmente a noção sobre o sistema solar. Quem foi o monge que, em vez de curar os efeitos posteriores a uma festa de passagem de ano, preferiu ficar colado a um telescópio? 

Envie a sua resposta para nov2015@astronomia.pt. Entre todas as respostas corretas é sorteado um conjunto de postais com imagens de objetos do céu profundo. A alternativa ideal aos habituais postais de boas festas. (data limite 1.Dez.2015 Todas as nossas decisões são finais).