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"Ninguém pode simultaneamente evitar a guerra e preparar-se para ela."
- Albert Einstein


Lua nada pimba

2016-03-24
25.Mar.- 31.Mar.2016 (Portugal)

Dois dias após a lua cheia (23.) e o eclipse lunar desse dia, o qual passou a leste de Portugal (o eclipse, não o dia), o nosso satélite natural continua apelar aos nossos sentidos e a nossa atenção com uma variedade de eventos e fenómenos. Quase cada dia há algo envolvendo a lua, seja para o olho ver ou a mente se distrair (pensar, meditar, aprender). Não esquecer, Domingo dia 27 à 1 hora o relógio deve passar a mostrar 2 horas da manhã. Se alguém te perguntar o que fizeste entre a 1 e 2 da manhã: amnésia é uma má desculpa!

Programa das atividades lunares desta semana



Nove dias de eventos lunares que normalmente passam totalmente despercebidos. Crédito: Gilessn/GRM


25.3. 14:16 Lua em apogeu
A lua vai estar em apogeu, no seu ponto mais distante na sua órbita em torno da Terra. Este mês 399.740 km separam a nossa ponta do nariz do então centro da face lunar. A cerca de 125 km desse centro alunaram em 1967 duas sondas americanas do modelo Surveyor. A Surveyor 4, em julho, estampou-se ou explodiu. Por enquanto não sabemos o que aconteceu mesmo. A Surveyor 6, em novembro, foi bem-sucedida e forneceu um vasto número de imagens e dados.

26.3 14:19 Lua em afélio
Todos os meses a lua também chega a sua maior distância em relação ao sol. Todavia, a verdadeira distância máxima ocorre quando a Terra também está o mais afastado do sol, o que acontece em pleno verão.

27.3. todo o dia
O primeiro domingo após a primeira lua cheia após o equinócio da primavera é chamado dia da Páscoa (para os que acreditam numa certa história fictícia). Cuidado, não atropelar coelhos!

28.3 21:00(*) Lua em conjunção com Marte
Pouco menos de 4° separam a Lua e Marte. Não é uma conjunção pomposa, especialmente atendendo que Marte nasce 3,5 horas mais tarde. Quando se torna finalmente bem visível a separação já terá atingido 5°. Esta distância angular ainda cabe bem no campo de visão da maioria dos binóculos. 5° é também a distância que separam as duas estrelas traseiras da figura da Ursa Maior (na versão portuguesa, não na astronómica). A meia-noite a Ursa Maior parece que se faz um pouco difícil de encontrar, pois nessa hora ela está de pernas ao ar.

29.3 16:16(*) Lua em conjunção com Saturno
Após de se cruzar com Marte, é a vez de um encontro aparente com Saturno (3,5°). Saturno nasce apenas depois da meia-noite (1:19h*). Até a altura de boa visibilidade a Lua já se terá afastado um bom bocado (>6°).



Fotografias da sonda Surveyor 6 na lua. Ela encontra-se também próximo do local dos destroços da Surveyor 4. Os recortes mostram a sonda Surveyor 6 na superfície lunar a ser iluminado pelo Sol de cima (lua cheia) e de lado, como no dia 31, aquando do quarto minguante. Crédito: NASA/Goddard/Arizona State University


31.3. 16:18(*) Lua em quarto minguante
Nascendo apenas às 2:19(*) a Lua não parece ser apelativa nem ativa o suficiente para justificar o sacrifício de uma noite mal dormida. Embora isso possa ser a verdade para os casos genéricos, não o é para quem queira fotografar ou desenhar os pormenores da superfície lunar com telescópio. Com o Sol incidir sobre o terreno do lado oposto, comparado com o quarto crescente, os relevos e crateras assumem muitas vezes um aspeto bem diferente. O quarto minguante é também a altura que provoca mais espanto entre a população que não costuma olhar para o céu, a não ser que chove ou haja algum barulho lá em cima. Nestes dias em torno do quarto minguante, a lua está bem visível no alto do céu em pleno dia. Isto contrasta com a típica noção que de dia se vê o Sol, o que normalmente está certo, e a Lua só se vê de noite, o que é redondamente errado. Prova: por volta das 8h-10h da manhã olhar para o céu na direção sul ou oeste (até dia 2.4).

(*) As horas indicadas referem-se a hora de verão em vigor na altura.

Contacto para as crónicas sobre a atualidade celeste: ceu@astronomia.pt