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"A libertação de energia atómica não criou um novo problema. Simplesmente tornou mais urgente a resolução de um já existente."
- Albert Einstein


Catástrofe galáctica

2006-04-28


Imagem obtida pelo Telescópio Espacial Spitzer, mostra duas galáxias espirais chamadas NGC 2201 (à esquerda) e IC 2163 (à direita). Créditos: NASA, ESA/JPL-Caltech/STScI/D. Elmegreen (Vassar).


Enquanto eu estou aqui sentado na minha sala de estar, com o portátil a aquecer-me (e provavelmente a irradiar partes de mim que não convinha), e com os sons do “South Park” a ouvirem-se ao fundo, sinto-me bastante seguro.

Mas é uma mentira, uma ilusão.

O Universo é um lugar perigoso. Nós estamos aqui na Via Láctea, isolados e fora de perigo… por enquanto. Mas outras galáxias estão lá fora. Estas podem aproximar-se, e a sua poderosa gravidade por distorcer a nossa Galáxia, arremessando estrelas como um cão sacode a água do pêlo, arrancando longos fluxos de gás e estrelas, e depois finalmente fundindo-se com a nossa.

Que provas tenho eu para este cenário arrepiante? Para começar, vemos isto a acontecer na Via Láctea. Por exemplo, a nossa galáxia está activamente a comer pelo menos outra. Também temos bastante a certeza que daqui a 3 mil milhões de anos, iremos fundir-nos com a galáxia de Andrómeda.

E, como argumento conclusivo, há a boa velha visão de galáxias a colidir. A imagem acima, recentemente enviada pelo Telescópio Espacial Spitzer (versão de alta resolução), mostra duas galáxias espirais chamadas NGC 2201 (à esquerda) e IC 2163 (à direita). Ambas são parecidas com a nossa, excepto pelo facto de estarem em colisão. A cor vermelha da imagem é na realidade de luz infravermelha, e mostra poeira a brilhar amenamente (as partes azuis e verdes são de uma imagem do Hubble, e foram adicionadas para fazer esta imagem de cores falsas). Vê como a poeira está toda nos braços em espiral? Quando as duas galáxias passaram uma pela outra, a gravidade de cada uma perturbou a outra, fazendo com que as nuvens de gás e poeira colidissem, entrassem em colapso, e formassem estrelas. Isto acontece principalmente nos braços em espiral, e é por isso que são tão óbvios na imagem.

As duas galáxias passarão uma pela outra, vão girar devido à gravidade, e vão passar outra vez. Isto acontecerá várias vezes, até que, daqui a 500 milhões de anos, irão fundir-se numa galáxia colossal. Provavelmente será elíptica em forma, como uma bola de rugby, com os braços em espiral distorcidos e irreconhecíveis. Provavelmente o mesmo destino nos espera quando nos fundirmos com Andrómeda.

Um pensamento: na imagem acima, as duas galáxias estão sobrepostas. Consegue dizer qual galáxia está à frente da outra? Não? Talvez isto ajude:



NGC 2201 (à esquerda) e IC 2163 (à direita), mas agora numa imagem do Telescópio Espacial Hubble. Créditos: Elmegreen (Vassar College) et al.,Hubble Heritage Team (AURA/ STScI/ NASA).


Esta é a imagem do Hubble (versão de alta resolução) das mesmas galáxias que foi usada na imagem do Spitzer acima. Consegue ver à direita, como o braço em espiral da NGC 2207 atravessa o núcleo da IC 2163? Em luz visível, a poeira é escura, absorvendo a luz vinda detrás. Visto que vemos o braço escuro em frente da IC 2163, a NGC 2207 tem que estar à frente. Se estivesse atrás da galáxia mais pequena, não veríamos esse braço de todo, porque este estaria bloqueado pela poeira da outra galáxia.

Como é costume, é o poder combinado dos telescópios que vêem em diferentes comprimentos de onda de luz que revela pistas acerca do quotidiano do nosso Universo. E se acha que saber estas coisas não tem importância, então espere três mil milhões de anos. Quando Andrómeda estiver a encher o céu todo, e o Sol for cuspido da Galáxia da mesma maneira que daria um piparote a alguma coisa pegajosa e nociva que estivesse no seu dedo, bom, aí irá arrepender-se! Ou talvez terá a mente ocupada com outras coisas. Ou talvez, na realidade, só vai acontecer daqui a três mil milhões de anos, e talvez não seja tão urgente.

Mas é maravilhoso. Nunca subestime isso.


Tradução de José Raeiro. Link para o artigo original.