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Nebulosa "Olho de Gato" (NGC 6543)
Ditos
"A minha religião consiste numa humilde admiração pelo espírito superior ilimitado que se revela nos pequenos detalhes que podemos perceber com as nossas frágeis e débeis mentes."- Albert Einstein

O que se passa em Quaoar ?
2004-12-14
Representação artística de Quaoar na cintura de Kuiper (STScI).
Plutão é um dos muitos outros corpos que existem nas profundezas longínquas do nosso sistema, ainda antes do reino dos cometas, corpos de gelo e rocha, que formam os limites que nos separam das estrelas. Mas Plutão não se encontra sozinho. Muito depois da sua descoberta, numerosos outros corpos, de dimensões menores ou semelhantes a Plutão, foram descobertos, algo que levaria hoje a uma redefinição do que se entende por planeta, ao meu tempo, ao tempo do meu pai e do meu avó, um corpo que reflecte a luz proveniente de uma estrela, neste caso o Sol. Daí que a tradição, esquecendo as dúvidas genéticas, seja para ser mantida.
A 7 de Outubro de 2002, os astrónomos anunciaram a descoberta de um objecto maior, cerca de metade do tamanho de Plutão, um enorme calhau composto de gelo e rocha que orbita o Sol em 288 anos. Chamado de Quaoar (deve pronunciar-se “qua-o-ar”), o objecto reside na Cintura de Kuiper, uma região do Sistema Solar que se estende para lá da órbita de Plutão e que corresponde a corpos rochosos com uma enorme fracção de gelo – restos conservados dos primeiros condensados do Sistema Solar.
Espectro de reflexão do gelo de água (a vermelho) comparado com o espectro obtido para Quaoar (cortesia de David Jewitt e “Nature”)
Um novo estudo (1), efectuado pelo astrónomo David Jewitt, do Instituto de Astronomia da Universidade do Hawai, mostra que a superfície de Quaoar está coberta de gelos de hidratos de amónia e gelo de água. Como esperado, ambas as substâncias são destruídas em poucos milhões de anos pela radiação cósmica, pelo que a sua presença na superfície de Quaoar implica, conforme nos disse David Jewitt, uma cobertura recente criada por um tipo estranho de criovulcanismo (vulcões a frio) que os astrónomos e os planetólogos não sabem explicar. O que se pensa, como afirmou Jewitt, é que “a superfície de Quaoar seja continuamente coberta por gelos cujos fluidos originais se libertam do interior”.
Esta conclusão, sem dúvida baseada em fortes observações, é não só intrigante como carece de uma importante explicação: que tipo de aquecimento poderia levar ao “vulcanismo” neste mundo distante do Sol? Os geólogos, certamente, não têm nenhuma certeza e duvido que alguém se atreva a apresentar uma. Este será um dos aspectos a ser estudados nos muitos corpos que formam a Cintura de Kuiper e que na próxima década serão observados, juntamente com Plutão, pela sonda automática “New Horizons”.
(1) “Nature”, Vol. 432, 9 Dezembro 2004


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