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Remanescente de supernova SNR0103-72.6

Ditos

"Na ciência, o crédito vai para o homem que convence o mundo, não para o homem que primeiro teve a ideia."
- Sir Francis Darwin


Sobre o Hiperespaço

2005-12-08
O hiperespaço é uma velha ferramenta da literatura de ficção científica usada assiduamente pelos argumentistas cinematográficos. Desde que Albert Einstein introduziu o tempo como quarta dimensão, em igualdade de condições com as três espaciais, na imaginação popular ficou gravada a hipótese de uma quinta dimensão que desse a possibilidade de viajar a velocidades maiores do que a da luz. Essa dimensão associa-se com o hiperespaço, um meio que permite encurtar caminhos entre dois pontos afastados no espaço real.

Han Solo ilustra explicitamente os perigos da viagem no hiperespaço a Luke Skywalker em "A Guerra das Estrelas" ("Star Wars", 1977)

Luke: Porque é que não escapas deles? Disseste que esta coisa era rápida?
Han: Cuidado com essa boca, rapaz, ou vais encontrar-te a flutuar em direcção a tua casa. Aliás, também conheço algumas manobras. Vamos perdê-los. Aqui é onde começa a diversão.
Ben: Quanto tempo falta para saltar no hiperespaço?
Han: Demorará alguns momentos a pôr as coordenadas no computador.
Luke: Estás a brincar?
Han: Viajar através do hiperespaço não é a mesma coisa que trabalhar numa quinta, rapaz.


Esta conversa é um sumário da ciência usada para poder explicar a viagem pelo espaço. Na cena supõe-se que o Han Solo está a acelerar para superar a velocidade da luz e entrar no hiperespaço vencendo simultaneamente o efeito do acréscimo de massa da sua nave quando se aproxima da velocidade da luz, e o aumento do peso devido à forte aceleração a que estava. Estas são as vantagens que tem o cinema sobre a física...

Olhemos de caminho que Han faz notar um ponto muito interessante. Suponhamos que podemos transladar-nos dum lugar a outro instantaneamente. O problema é que não temos informação donde vamos aparecer. Se a informação que recebemos sobre o Universo vem da luz (quando vemos) e a luz viaja com uma velocidade limitada, então o que vemos é o que aconteceu há um certo tempo, que depende da distância ao lugar. Só se existisse um método de transmitir informação a maior velocidade do que a da luz (melhor se for instantaneamente) seria possível navegar pela galáxia com segurança. Se, por exemplo, pretendêssemos viajar instantaneamente até à Lua, só teríamos informação sobre a posição da Lua há um segundo atrás. Se nesse mesmo instante aparecesse um asteróide pelo meio, teríamos uma surpresa muito desagradável... e nenhum argumentista de filmes nos poderia salvar!


Tradução de Cristina Zurita.
Héctor Castañeda é astrónomo no Instituto de Astrofísica de Canarias e mantém um site internet com informação em castelhano em http://www.iac.es/galeria/hcastane