Duas novas luas de Saturno

2004-08-20

Esta imagem faz parte de uma sequência de imagens, obtida pela Cassini/Huygens, especificamente concebida para detectar novas luas de Saturno. O quadrado branco indica a localização de uma das novas luas, S/2004 S1. A imagem foi alterada de forma a aumentar o contraste e por isso a luz difusa dos anéis, os raios cósmicos e os padrões de ruído são tão evidentes. A imagem foi obtida à distância de 16,5 milhões de quilómetros de Saturno. Crédito: NASA/JPL/SScI.
A sonda Cassini
Cassini-Huygens (NASA/ESA)
A missão Cassini-Huygens é uma missão conjunta da NASA e da ESA dedicada a Saturno que foi lançada no dia 13 de Outubro de 1997. Esta missão é composta por duas sondas: a sonda Cassini cujo objectivo principal é o estudo de Saturno, da sua atmosfera e do seu campo magnético, e a sonda Huygens cujo objectivo é o estudo da atmosfera do maior satélite de Saturno, Titã. O ponto alto desta missão será sem dúvida o pouso da sonda Huygens na superfície de Titã.
/Huygens (NASA
National Aeronautics and Space Administration (NASA)
Entidade norte-americana, fundada em 1958, que gere e executa os programas espaciais dos Estados Unidos da América.
/ ESA
European Space Agency (ESA)
A Agência Espacial Europeia foi fundada em 1975 e actualmente conta com 15 países membros, incluindo Portugal.
/ASI) detectou duas novas luas a orbitarem Saturno
Saturno
Saturno é o sexto planeta do Sistema Solar, a contar do Sol. Com um diâmetro cerca de 10 vezes o da Terra, é o segundo maior planeta do Sistema Solar. A sua característica mais marcante são os belos anéis que o rodeiam.
, elevando para 33 o número de satélites naturais que orbitam este planeta
planeta
Um planeta é um objecto que se forma no disco que circunda uma estrela em formação e cuja massa é superior à de Plutão (1/500 da massa da Terra) e inferior a 10 vezes a massa de Júpiter. Ao contrário das estrelas, os planetas não produzem luz, apenas reflectem a luz da estrela que orbitam.
gigante. Os seus nomes provisórios são S/2004 S1 e S/2004 S2 e têm cerca de três e quatro quilómetros de diâmetro. Localizadas a 194 000 e a 211 000 quilómetros do centro do planeta, estas luas encontram-se entre as órbitas
órbita
A órbita de um corpo em movimento é a trajectória que o corpo percorre no espaço.
de Mimas e Enceladus, duas luas maiores de Saturno. A lua S/2004 S1 pode ser um objecto detectado numa única imagem obtida pela sonda Voyager (NASA) há 23 anos e na altura designado por S/1981 S14.

As menores luas até agora detectadas em Saturno tinham cerca de 20 km de diâmetro. Os cientistas esperavam encontrar corpos do tamanho de S/2004 S1 e S/2004 S2 nos intervalos entre os anéis, e talvez perto do anel F, mas ficaram surpreendidos ao descobrirem objectos tão pequenos entre duas luas maiores. Prevê-se que pequenos cometas
cometa
Os cometas são pequenos corpos irregulares, compostos por gelos (de água e outros) e poeiras. Os cometas têm órbitas de grande excentricidade à volta do Sol. As estruturas mais importantes dos cometas são o núcleo, a cabeleira e as caudas.
vão colidindo com as luas menores, desfazendo-as. O facto de S/2004 S1 e S/2004 S2 existirem naquelas órbitas pode providenciar um limite ao número de pequenos cometas no Sistema Solar
Sistema Solar
O Sistema Solar é constituído pelo Sol e por todos os objectos que lhe estão gravitacionalmente ligados: planetas e suas luas, asteróides, cometas, material interplanetário.
– uma quantidade essencial para compreendermos os objectos da Cintura de Kuiper
Cintura de Kuiper
A Cintura de Kuiper é uma região em forma de disco, localizada depois de Neptuno, entre 30 e 50 UA do Sol. É constituída por muitos pequenos corpos gelados, restos da formação do Sistema Solar, e é a fonte dos cometas de curto-período. O primeiro objecto da Cintura de Kuiper, 1992QB1, com 240 km de diâmetro, só foi descoberto em 1992, mas desde então já se conhecem centenas de objectos da Cintura de Kuiper (KBO, do inglês Kuiper Belt Object). Há astrónomos que consideram Plutão, e a sua lua Caronte, objectos da Cintura de Kuiper.
, assim como a história das crateras nas luas dos planetas gigantes.

As luas à volta dos planetas gigantes não se encontram geralmente no local onde se formaram, pois as forças de maré provocadas pelo planeta arrastam as luas para outras posições. Ao se deslocarem, as luas podem provocar perturbações nas órbitas de outras luas, como por exemplo, aumentar a excentricidade
excentricidade
A excentricidade de uma elipse é a razão entre a distância de um foco ao centro da elipse (c) e o seu semi-eixo maior (a): e=c/a. A circunferência tem excentricidade nula, e=0.
, ou inclinar o plano da órbita relativamente ao equador do planeta. A recém-descoberta S/2004 S1 pode ter sofrido uma evolução assim.

Fonte da notícia: http://www.esa.int/esaCP/SEMFYLW4QWD_index_0.html