Expansão do Universo acelerou há 5 mil milhões de anos

2003-12-22

As supernovas detectadas neste estudo encontram-se acima da linha de transição entre os dois regimes (região azul), o que sugere que no passado a expansão do Universo era mais lenta. Crédito: High-Z SuperNova Search Team.
Em 1998, dois grupos de investigação descobriram indícios de que a expansão do Universo está a ser acelerada. Estes dois grupos, o Supernova Cosmology Project e o High-Z Supernova Search Team, usam observações de supernovas de tipo Ia
supernova Tipo Ia
Uma supernova de tipo I que não apresenta no seu espectro riscas espectrais de hidrogénio e de hélio, mas possui fortes riscas espectrais de silício.
muito remotas para estudar a evolução do Universo nos últimos 9 mil milhões de anos.

Segundo Adams Riess, do Space Telescope Science Institute (STScI), situado em Baltimore (EUA), observações recentes realizadas pelo High-Z Supernova Search Team (do qual é membro) mostraram que a expansão do Universo parece ter acelerado
aceleração
A aceleração é a taxa de variação da velocidade de um corpo com o tempo.
nos últimos 5 mil milhões de anos.

Esta nova descoberta baseia-se em imagens obtidas com o Telescópio Espacial Hubble
Hubble Space Telescope (HST)
O Telescópio Espacial Hubble é um telescópio espacial que foi colocado em órbita da Terra em 1990 pela NASA, em colaboração com a ESA. A sua posição acima da atmosfera terrestre permite-lhe observar os objectos astronómicos com uma qualidade ímpar.
. Estas imagens revelaram que 6 das 7 supernovas
supernova
Uma supernova é a explosão de uma estrela no final da sua vida. As explosões de supernova são de tal forma violentas e luminosas que o seu brilho pode ultrapassar o brilho de uma galáxia inteira. Existem dois tipos principais de supernova: as supernovas Tipo Ia, que resultam da explosão duma estrela anã branca que, no seio de um sistema binário, rouba matéria da estrela companheira até a sua massa atingir o limite de Chandrasekhar e então colapsa; e as supernovas Tipo II, que resultam da explosão de uma estrela isolada de massa elevada (com massa superior a cerca de 4 vezes a massa do Sol) que esgotou o seu combustível nuclear e expeliu as suas camadas externas, restando apenas um objecto compacto (uma estrela de neutrões ou um buraco negro).
de tipo Ia mais distantes que se conhece estão para além da linha de transição entre os regimes de desaceleração e aceleração cósmicas (ver gráfico ao lado).

Neste estudo, os astrónomos interessaram-se por supernovas de tipo Ia suficientemente brilhantes (com luminosidades
luminosidade
A luminosidade (L) é a quantidade de energia que um objecto celeste emite por unidade de tempo e em determinado comprimento de onda, ou em determinada banda de comprimentos de onda.
superiores a 10 mil milhões de luminosidades solares) de modo a poderem ser detectadas, a distâncias da ordem de metade do Universo observável
Universo observável
Chama-se Universo observável a tudo o que pode ser observado até ao limite em que, no passado, e de acordo com os modelos teóricos, o Universo era opaco, ou seja, quando tinha uma idade de apenas cerca de 300 mil anos.
no domínio do visível, a partir de telescópios no solo, ou mesmo a distâncias superiores com o Telescópio Espacial Hubble.

Este estudo vem confirmar o resultado de 1998 que, na altura, não era de todo esperado pois pensava-se que a expansão do Universo devia estar a abrandar, por acção da gravidade devida à matéria escura
matéria escura
A matéria escura é matéria que não emite luz e por isso não pode ser observada directamente, mas cuja existência é inferida pela sua influência gravitacional na matéria luminosa, ou prevista por certas teorias. Por exemplo, os astrónomos acreditam que as regiões mais exteriores das galáxias, incluindo a Via Láctea, têm de possuir matéria escura devido às observações do movimento das estrelas. A Teoria Inflacionária do Universo prevê que o Universo tem uma densidade elevada, o que só pode ser verdade se existir matéria escura. Não se sabe ao certo o que constitui a matéria escura: poderão ser partículas subatómicas, buracos negros, estrelas de muito baixa luminosidade, ou mesmo uma combinação de vários destes ou outros objectos.
. Este resultado contribui assim para que, actualmente, a teoria que afirma que o Universo é permeado por uma energia escura repulsiva tenha vindo a ganhar adeptos.

Fonte da notícia: http://universe.gsfc.nasa.gov/press/2003/031010a.html